Israel caminhava lentamente pelas ruas da cidade. No ombro, além do peso dos oitenta anos passados, carregava um conjunto de roupas vermelhas e brancas. Nos olhos, um brilho de esperança. No coração, a certeza de que por mais um ano carregaria consigo o emblemático título de Papai Noel, coisa que fazia há décadas. O shopping estava repleto. As pessoas iam e vinham num frenesi alucinado de compras antecipadas para o natal. A escada rolante transportava sonhos, que subiam e desciam, na mesma intensidade em que as ilusões de falsas necessidades se desfaziam ao termino de uma compra e se refaziam na próxima vitrine. Sonhos e ilusões se fundiam nas cores coloridas das imensas galerias. Israel caminhava: ator irreconhecido do teatro da vida. A barba branca, bem cuidada, documentava os verões passados. Os passos lentos comprovavam a lentidão dos dias e a solidão das horas, que se perdiam na linha do tempo, apagando da mente das pessoas o verdadeiro significado da velhice. Agora faltava pouco....