A Psicologia Gestáltica da Unidade (PGU), ao compreender o ser humano como especificações relativas constituídas no Entre, não pode conceber a clínica como um conjunto de procedimentos técnicos aplicados sobre um indivíduo isolado. O processo terapêutico, dentro da PGU, não é uma sucessão linear de etapas destinada a conduzir alguém a um ideal de normalidade emocional. A clínica não é uma máquina de ajustes psíquicos. Ela é um acontecimento vivo. É campo em movimento. É relação. Isso significa que o processo terapêutico não pode ser limitado à lógica tradicional que compreende o sofrimento humano como algo localizado “dentro” do sujeito, como se a dor fosse uma espécie de falha interna a ser corrigida por um especialista emocionalmente neutro. A PGU confronta radicalmente essa perspectiva porque compreende que o sofrimento não nasce apenas da interioridade psíquica, mas da forma como o contato foi sendo organizado ao longo da existência. O adoecimento humano não é apenas individua...
A Psicologia Gestáltica da Unidade - PGU, ao introduzir o conceito de Entre como fundamento ontológico da experiência, abre necessariamente o campo para uma questão que, historicamente, a psicologia frequentemente evitava ou tratou de modo marginal : a dimensão da transcendência . No entanto, diferentemente de abordagens que vinculam essa dimensão a sistemas religiosos ou instituídos, a PGU propõe uma compreensão rigorosa, experiencial e fenomenologicamente situada da espiritualidade, enraizando-a no próprio dinamismo do Entre. Nesse sentido, a transcendência não é concebida como um “além” da experiência, mas como uma qualidade da própria experiência quando vivida em profundidade relacional . Ela não aponta para fora do mundo, mas para um modo mais pleno de estar nele. Trata-se, portanto, de uma transcendência encarnada, que se manifesta na intensificação do encontro e na abertura ao Outro . O Entre como campo de abertura ao além-de-si Ao compreender o Entre como campo de...