A Psicologia Gestáltica da Unidade - PGU, ao introduzir o conceito de Entre como fundamento ontológico da experiência, abre necessariamente o campo para uma questão que, historicamente, a psicologia frequentemente evitava ou tratou de modo marginal : a dimensão da transcendência . No entanto, diferentemente de abordagens que vinculam essa dimensão a sistemas religiosos ou instituídos, a PGU propõe uma compreensão rigorosa, experiencial e fenomenologicamente situada da espiritualidade, enraizando-a no próprio dinamismo do Entre. Nesse sentido, a transcendência não é concebida como um “além” da experiência, mas como uma qualidade da própria experiência quando vivida em profundidade relacional . Ela não aponta para fora do mundo, mas para um modo mais pleno de estar nele. Trata-se, portanto, de uma transcendência encarnada, que se manifesta na intensificação do encontro e na abertura ao Outro . O Entre como campo de abertura ao além-de-si Ao compreender o Entre como campo de...
Na perspectiva da PGU – Psicologia Gestáltica da Unidade , a saúde mental não pode ser compreendida como um fato isolado, encerrado dentro do indivíduo como se fosse um acontecimento exclusivamente interno, privado e desconectado do mundo. Ao contrário, ela emerge e se organiza no campo vivo das relações, no espaço dinâmico onde o Eu encontra o Outro e, nesse encontro, ambos são continuamente afetados, modificados e convocados à responsabilidade mútua. É justamente nesse horizonte que o Self , compreendido como “o contato em ação” , assume papel central. O Self, na PGU, não é uma estrutura fixa, rígida ou substancial. Ele não é uma “coisa” localizada dentro da pessoa, tampouco uma identidade acabada. O Self é movimento, acontecimento, presença ativa no campo relacional. Ele se manifesta no ato de tocar e ser tocado pela experiência, no modo como uma pessoa entra em contato consigo, com o outro e com o mundo. Dizer que o Self é o contato em ação afirma que a saúde mental se re...