Resumo O presente artigo tem como objetivo analisar os conceitos de imanência e transcendência a partir da perspectiva da Psicologia Gestáltica da Unidade (P.G.U.), conforme proposta por Mossato, estabelecendo um diálogo com a fenomenologia filosófica, especialmente nas contribuições de Martin Buber, Edmund Husserl e Martin Heidegger. Parte-se da compreensão da P.G.U. como matriz teórica que ancora a análise, propondo que o Ser humano se constitui na tensão entre o fechamento egóico (imanência) e a abertura relacional (transcendência). A imanência é compreendida como uma forma de existência centrada no “Eu-Isso”, marcada pela objetificação do Outro e pela ilusão de autossuficiência. Em contrapartida, a transcendência é entendida como movimento de abertura ao Outro enquanto “existente-para-si”, possibilitando o surgimento do “Entre” — espaço relacional onde emerge o “Nós-transcendente”. Metodologicamente, trata-se de uma pesquisa de natureza teórico-conceitual, de base fenomenológica...
Israel caminhava lentamente pelas ruas da cidade. No ombro, além do peso dos oitenta anos passados, carregava um conjunto de roupas vermelhas e brancas. Nos olhos, um brilho de esperança. No coração, a certeza de que por mais um ano carregaria consigo o emblemático título de Papai Noel, coisa que fazia há décadas. O shopping estava repleto. As pessoas iam e vinham num frenesi alucinado de compras antecipadas para o natal. A escada rolante transportava sonhos, que subiam e desciam, na mesma intensidade em que as ilusões de falsas necessidades se desfaziam ao termino de uma compra e se refaziam na próxima vitrine. Sonhos e ilusões se fundiam nas cores coloridas das imensas galerias. Israel caminhava: ator irreconhecido do teatro da vida. A barba branca, bem cuidada, documentava os verões passados. Os passos lentos comprovavam a lentidão dos dias e a solidão das horas, que se perdiam na linha do tempo, apagando da mente das pessoas o verdadeiro significado da velhice. Agora faltava pouco....