Israel caminhava lentamente pelas ruas da cidade. No ombro, além do peso dos oitenta anos passados, carregava um conjunto de roupas vermelhas e brancas. Nos olhos, um brilho de esperança. No coração, a certeza de que por mais um ano carregaria consigo o emblemático título de Papai Noel, coisa que fazia há décadas. O shopping estava repleto. As pessoas iam e vinham num frenesi alucinado de compras antecipadas para o natal. A escada rolante transportava sonhos, que subiam e desciam, na mesma intensidade em que as ilusões de falsas necessidades se desfaziam ao termino de uma compra e se refaziam na próxima vitrine. Sonhos e ilusões se fundiam nas cores coloridas das imensas galerias. Israel caminhava: ator irreconhecido do teatro da vida. A barba branca, bem cuidada, documentava os verões passados. Os passos lentos comprovavam a lentidão dos dias e a solidão das horas, que se perdiam na linha do tempo, apagando da mente das pessoas o verdadeiro significado da velhice. Agora faltava pouco....
Maria Clara no Show do GEN VERDE* - Maringá-PR, maio de 2002 Era julho de 2.002. A copa do mundo já havia começado. A novela global lançou mais uma 'febre' no mundo da moda: lencinhos amarrados na cabeça. Maria Clara, minha filha caçula, na época com seis anos, lutava contra um linfoma que colocava sua vida sob um fio de navalha. Devido a várias sessões de quimioterapia seus cabelos caíram, deixando-a carequinha. Naquele fim de semana ela foi convidada para uma festinha de aniversário de uma das suas coleguinhas. Priscila, uma de suas irmãs, preocupada com o impacto que as amiguinhas teriam com a presença de Maria, trouxe-lhe vários lencinhos de cabeça de presente. Curiosa, a Maria logo perguntou: - Tata, o que é isso? - São lencinhos pra colocar na cabeça. É a última moda, sabia?! Todo mundo está usando, e você vai ficar linda com eles! A Priscila colocou um lencinho na cabeça da Maria Clara, amarrou e fez muitos elogios: -Ficou lindo! Você vai arrasar! Vai fazer o maior suces...