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NIVALDO MOSSATO
👋 Olá Nivaldo, tudo bem? Estava lendo seu blog e gostaria de conversar com você.

PGU - A SAÚDE MENTAL NO ENTRE DAS RELAÇÕES: Alteridade e Responsabilidade no Ato de Poncianar

Na perspectiva da PGU – Psicologia Gestáltica da Unidade , a saúde mental não pode ser compreendida como um fato isolado, encerrado dentro do indivíduo como se fosse um acontecimento exclusivamente interno, privado e desconectado do mundo. Ao contrário, ela emerge e se organiza no campo vivo das relações, no espaço dinâmico onde o Eu encontra o Outro e, nesse encontro, ambos são continuamente afetados, modificados e convocados à responsabilidade mútua. É justamente nesse horizonte que o Self , compreendido como “o contato em ação” , assume papel central. O Self, na PGU, não é uma estrutura fixa, rígida ou substancial. Ele não é uma “coisa” localizada dentro da pessoa, tampouco uma identidade acabada. O Self é movimento, acontecimento, presença ativa no campo relacional. Ele se manifesta no ato de tocar e ser tocado pela experiência, no modo como uma pessoa entra em contato consigo, com o outro e com o mundo. Dizer que o Self é o contato em ação afirma que a saúde mental se re...
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PONCIANAR – DA FIXAÇÃO ENTRE POLARIDADES À SAÚDE MENTAL ATRAVÉS DO MOVIMENTO ÉTICO RELACIONAL

À luz da PGU – Psicologia Gestáltica da Unidade , o processo de Poncianar se estabelece como eixo dinâmico da saúde mental e relacional: não como um estado fixo, mas como um movimento contínuo entre polaridades que emergem no fenômeno vivido. É no “entre” — espaço relacional onde o eu e o outro se co-constituem — que conceitos como autoridade x autoritarismo, agressividade, temor x medo, liberdade x manipulação, egotismo e aceitar x ceder deixam de ser ideias e tornam-se atos existenciais .   O Poncianar , portanto, não elimina tensões; ele as habita com consciência . No campo da autoridade, o sujeito saudável sustenta presença sem imposição. A autoridade, quando poncianada, é firmeza relacional que organiza o encontro; o autoritarismo, por sua vez, é sua degeneração — rompe o entre ao substituir o vínculo pela força. O autoritário não dialoga: ele ocupa. Já o sujeito que ponciana sustenta o espaço para que o outro exista, sem abdicar de si. A agressividade, nesse contexto, é c...

IMANÊNCIA, TRANSCENDÊNCIA E O TORNAR-SE UNO - uma leitura fenomenológico-relacional na perspectiva da PGU

Resumo O presente artigo tem como objetivo analisar os conceitos de imanência e transcendência a partir da perspectiva da Psicologia Gestáltica da Unidade (P.G.U.), conforme proposta por Mossato, estabelecendo um diálogo com a fenomenologia filosófica, especialmente nas contribuições de Martin Buber, Edmund Husserl e Martin Heidegger. Parte-se da compreensão da P.G.U. como matriz teórica que ancora a análise, propondo que o Ser humano se constitui na tensão entre o fechamento egóico (imanência) e a abertura relacional (transcendência). A imanência é compreendida como uma forma de existência centrada no “Eu-Isso”, marcada pela objetificação do Outro e pela ilusão de autossuficiência. Em contrapartida, a transcendência é entendida como movimento de abertura ao Outro enquanto “existente-para-si”, possibilitando o surgimento do “Entre” — espaço relacional onde emerge o “Nós-transcendente”. Metodologicamente, trata-se de uma pesquisa de natureza teórico-conceitual, de base fenomenológica...

O NATAL DE NOEL

Israel caminhava lentamente pelas ruas da cidade. No ombro, além do peso dos oitenta anos passados, carregava um conjunto de roupas vermelhas e brancas. Nos olhos, um brilho de esperança. No coração, a certeza de que por mais um ano carregaria consigo o emblemático título de Papai Noel, coisa que fazia há décadas. O shopping estava repleto. As pessoas iam e vinham num frenesi alucinado de compras antecipadas para o natal. A escada rolante transportava sonhos, que subiam e desciam, na mesma intensidade em que as ilusões de falsas necessidades se desfaziam ao termino de uma compra e se refaziam na próxima vitrine. Sonhos e ilusões se fundiam nas cores coloridas das imensas galerias. Israel caminhava: ator irreconhecido do teatro da vida. A barba branca, bem cuidada, documentava os verões passados. Os passos lentos comprovavam a lentidão dos dias e a solidão das horas, que se perdiam na linha do tempo, apagando da mente das pessoas o verdadeiro significado da velhice. Agora faltava pouco....

O LENCINHO - Uma lição de vida

Maria Clara no Show do GEN VERDE* - Maringá-PR, maio de 2002 Era julho de 2.002. A copa do mundo já havia começado. A novela global lançou mais uma 'febre' no mundo da moda: lencinhos amarrados na cabeça. Maria Clara, minha filha caçula, na época com seis anos, lutava contra um linfoma que colocava sua vida sob um fio de navalha. Devido a várias sessões de quimioterapia seus cabelos caíram, deixando-a carequinha. Naquele fim de semana ela foi convidada para uma festinha de aniversário de uma das suas coleguinhas. Priscila, uma de suas irmãs, preocupada com o impacto que as amiguinhas teriam com a presença de Maria, trouxe-lhe vários lencinhos de cabeça de presente. Curiosa, a Maria logo perguntou: - Tata, o que é isso? - São lencinhos pra colocar na cabeça. É a última moda, sabia?! Todo mundo está usando, e você vai ficar linda com eles! A Priscila colocou um lencinho na cabeça da Maria Clara, amarrou e fez muitos elogios: -Ficou lindo! Você vai arrasar! Vai fazer o maior suces...

NASCEMOS DO OUTRO PARA NOS TORNARMOS OUTRO PARA O OUTRO

Há uma realidade da qual não conseguimos fugir: nascemos do outro, do encontro de outros e, só nos tornamos outro para o outro, na presença significativa do Outro. Nada somos ou seremos, se na presença do outro não o sentirmos, significarmos e o incorporarmos. O óvulo e o esperma que deram origem ao nosso organismo não eram nossos, nos foram doados pelo encontro de outros. Herdamos, filo e ontogenéticamente características de tantos outros que antes de nós existiram. Nascemos em meio a tantos outros que nos doaram e nos doam a cultura, a religião, os conhecimentos, a lei e a moral, a comunidade e o mundo. Outros que nos deram e a nós se referem pelo nome e sobrenome, substantivos próprios que nos distinguem e identificam perante toda a humanidade. Se nascemos do outro e pelo outro, tanto em nosso estado físico quanto em nossa subjetividade, em função de que necessitamos tanto buscar uma individualidade que, na maioria das vezes, nos separa desse outro? Se nos constituímos pessoas hu...