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NIVALDO MOSSATO
👋 Olá Nivaldo, tudo bem? Estava lendo seu blog e gostaria de conversar com você.

O PROCESSO TERAPÊUTICO NA PGU - DO PRIMEIRO CONTATO AO TORNAR-SE UNO

A Psicologia Gestáltica da Unidade (PGU), ao compreender o ser humano como especificações relativas constituídas no Entre, não pode conceber a clínica como um conjunto de procedimentos técnicos aplicados sobre um indivíduo isolado. O processo terapêutico, dentro da PGU, não é uma sucessão linear de etapas destinada a conduzir alguém a um ideal de normalidade emocional. A clínica não é uma máquina de ajustes psíquicos. Ela é um acontecimento vivo. É campo em movimento. É relação. Isso significa que o processo terapêutico não pode ser limitado à lógica tradicional que compreende o sofrimento humano como algo localizado “dentro” do sujeito, como se a dor fosse uma espécie de falha interna a ser corrigida por um especialista emocionalmente neutro. A PGU confronta radicalmente essa perspectiva porque compreende que o sofrimento não nasce apenas da interioridade psíquica, mas da forma como o contato foi sendo organizado ao longo da existência. O adoecimento humano não é apenas individua...

A TRANSCENDÊNCIA E A ESPIRITUALIDADE como Fatores Constitutivos do Ser-Pessoa-Além-de-Si

A Psicologia Gestáltica da Unidade - PGU, ao introduzir o conceito de Entre como fundamento ontológico da experiência, abre necessariamente o campo para uma questão que, historicamente, a psicologia frequentemente evitava ou tratou de modo marginal : a dimensão da transcendência . No entanto, diferentemente de abordagens que vinculam essa dimensão a sistemas religiosos ou instituídos, a PGU propõe uma compreensão rigorosa, experiencial e fenomenologicamente situada da espiritualidade, enraizando-a no próprio dinamismo do Entre. Nesse sentido, a transcendência não é concebida como um “além” da experiência, mas como uma qualidade da própria experiência quando vivida em profundidade relacional . Ela não aponta para fora do mundo, mas para um modo mais pleno de estar nele. Trata-se, portanto, de uma transcendência encarnada, que se manifesta na intensificação do encontro e na abertura ao Outro . O Entre como campo de abertura ao além-de-si Ao compreender o Entre como campo de...

PGU - A SAÚDE MENTAL NO ENTRE DAS RELAÇÕES: Alteridade e Responsabilidade no Ato de Poncianar

Na perspectiva da PGU – Psicologia Gestáltica da Unidade , a saúde mental não pode ser compreendida como um fato isolado, encerrado dentro do indivíduo como se fosse um acontecimento exclusivamente interno, privado e desconectado do mundo. Ao contrário, ela emerge e se organiza no campo vivo das relações, no espaço dinâmico onde o Eu encontra o Outro e, nesse encontro, ambos são continuamente afetados, modificados e convocados à responsabilidade mútua. É justamente nesse horizonte que o Self , compreendido como “o contato em ação” , assume papel central. O Self, na PGU, não é uma estrutura fixa, rígida ou substancial. Ele não é uma “coisa” localizada dentro da pessoa, tampouco uma identidade acabada. O Self é movimento, acontecimento, presença ativa no campo relacional. Ele se manifesta no ato de tocar e ser tocado pela experiência, no modo como uma pessoa entra em contato consigo, com o outro e com o mundo. Dizer que o Self é o contato em ação afirma que a saúde mental se re...

PONCIANAR – DA FIXAÇÃO ENTRE POLARIDADES À SAÚDE MENTAL ATRAVÉS DO MOVIMENTO ÉTICO RELACIONAL

À luz da PGU – Psicologia Gestáltica da Unidade , o processo de Poncianar se estabelece como eixo dinâmico da saúde mental e relacional: não como um estado fixo, mas como um movimento contínuo entre polaridades que emergem no fenômeno vivido. É no “entre” — espaço relacional onde o eu e o outro se co-constituem — que conceitos como autoridade x autoritarismo, agressividade, temor x medo, liberdade x manipulação, egotismo e aceitar x ceder deixam de ser ideias e tornam-se atos existenciais .   O Poncianar , portanto, não elimina tensões; ele as habita com consciência . No campo da autoridade, o sujeito saudável sustenta presença sem imposição. A autoridade, quando poncianada, é firmeza relacional que organiza o encontro; o autoritarismo, por sua vez, é sua degeneração — rompe o entre ao substituir o vínculo pela força. O autoritário não dialoga: ele ocupa. Já o sujeito que ponciana sustenta o espaço para que o outro exista, sem abdicar de si. A agressividade, nesse contexto, é c...

IMANÊNCIA, TRANSCENDÊNCIA E O TORNAR-SE UNO - uma leitura fenomenológico-relacional na perspectiva da PGU

Resumo O presente artigo tem como objetivo analisar os conceitos de imanência e transcendência a partir da perspectiva da Psicologia Gestáltica da Unidade (P.G.U.), conforme proposta por Mossato, estabelecendo um diálogo com a fenomenologia filosófica, especialmente nas contribuições de Martin Buber, Edmund Husserl e Martin Heidegger. Parte-se da compreensão da P.G.U. como matriz teórica que ancora a análise, propondo que o Ser humano se constitui na tensão entre o fechamento egóico (imanência) e a abertura relacional (transcendência). A imanência é compreendida como uma forma de existência centrada no “Eu-Isso”, marcada pela objetificação do Outro e pela ilusão de autossuficiência. Em contrapartida, a transcendência é entendida como movimento de abertura ao Outro enquanto “existente-para-si”, possibilitando o surgimento do “Entre” — espaço relacional onde emerge o “Nós-transcendente”. Metodologicamente, trata-se de uma pesquisa de natureza teórico-conceitual, de base fenomenológica...