A Psicologia Gestáltica da Unidade (PGU), ao compreender o ser humano como especificações relativas constituídas no Entre, não pode conceber a clínica como um conjunto de procedimentos técnicos aplicados sobre um indivíduo isolado. O processo terapêutico, dentro da PGU, não é uma sucessão linear de etapas destinada a conduzir alguém a um ideal de normalidade emocional. A clínica não é uma máquina de ajustes psíquicos. Ela é um acontecimento vivo. É campo em movimento. É relação. Isso significa que o processo terapêutico não pode ser limitado à lógica tradicional que compreende o sofrimento humano como algo localizado “dentro” do sujeito, como se a dor fosse uma espécie de falha interna a ser corrigida por um especialista emocionalmente neutro. A PGU confronta radicalmente essa perspectiva porque compreende que o sofrimento não nasce apenas da interioridade psíquica, mas da forma como o contato foi sendo organizado ao longo da existência. O adoecimento humano não é apenas individua...