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NIVALDO MOSSATO
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PONCIANAR – DA FIXAÇÃO ENTRE POLARIDADES À SAÚDE MENTAL ATRAVÉS DO MOVIMENTO ÉTICO RELACIONAL


À luz da PGU – Psicologia Gestáltica da Unidade, o processo de Poncianar se estabelece como eixo dinâmico da saúde mental e relacional: não como um estado fixo, mas como um movimento contínuo entre polaridades que emergem no fenômeno vivido. É no “entre” — espaço relacional onde o eu e o outro se co-constituem — que conceitos como autoridade x autoritarismo, agressividade, temor x medo, liberdade x manipulação, egotismo e aceitar x ceder deixam de ser ideias e tornam-se atos existenciais.

 

O Poncianar, portanto, não elimina tensões; ele as habita com consciência.

No campo da autoridade, o sujeito saudável sustenta presença sem imposição. A autoridade, quando poncianada, é firmeza relacional que organiza o encontro; o autoritarismo, por sua vez, é sua degeneração — rompe o entre ao substituir o vínculo pela força. O autoritário não dialoga: ele ocupa. Já o sujeito que ponciana sustenta o espaço para que o outro exista, sem abdicar de si.

A agressividade, nesse contexto, é compreendida como potência de contato. Não é violência, mas energia mobilizadora. Quando não elaborada, torna-se destrutiva ou inibida; quando poncianada, transforma-se em afirmação com responsabilidade.

 

O confronto, aqui, não é ruptura — é possibilidade de encontro verdadeiro.

É, porém, na distinção entre medo e temor que se revela um dos pontos mais sensíveis e profundos da PGU.

O medo pertence à ordem da ameaça e da defesa. Ele emerge diante do risco, mobilizando o organismo para preservar-se. Já o temor, na perspectiva da PGU, não é medo difuso ou projeção interna — é obediência pelo amor. O sujeito não age para evitar punição, mas para não romper o vínculo com aquele que confirma sua existência. Essa distinção é decisiva.

 

Quem vive pelo medo responde à coerção;

quem vive pelo temor responde ao vínculo.

 

No processo de Poncianar, portanto, não se trata de distinguir realidade de fantasia apenas, mas de transitar do medo para o temor, isto é, sair de uma lógica de autopreservação para uma lógica de co-preservação relacional. O sujeito deixa de agir por defesa e passa a agir por pertencimento. Não evita o erro por medo da sanção, mas por compromisso com o laço que o constitui.

Aqui, o confronto é inevitável: uma sociedade estruturada pelo medo produz sujeitos submissos ou reativos; uma existência sustentada pelo temor — no sentido PGU — produz sujeitos éticos, capazes de sustentar relações sem romper o vínculo essencial.

 

Essa mesma tensão aparece entre liberdade e manipulação. A liberdade, na PGU, não é ausência de limites, mas presença responsável no entre. A manipulação, ao contrário, é o uso velado do outro como meio. O sujeito que não ponciana oscila entre controlar e ser controlado; o sujeito que ponciana sustenta a liberdade como compromisso com o encontro, mesmo quando isso exige frustração.

 

O egotismo, por sua vez, interrompe o fluxo do Poncianar. Ao centrar-se em si mesmo, o sujeito rompe o entre e inviabiliza o vínculo. O outro deixa de ser presença e passa a ser função. Poncianar, aqui, é abrir-se ao outro sem dissolver-se — reconhecer que a identidade se constitui no encontro, e não no isolamento.

 

Por fim, a distinção entre aceitar e ceder delimita a maturidade relacional. Aceitar é reconhecer o outro em sua alteridade; ceder é abandonar-se para manter o vínculo. O sujeito poncianante aceita sem se anular, sustenta o diálogo sem submissão, e permanece no entre mesmo diante da tensão.

Dessa forma, o Poncianar se revela como um ato ético-relacional contínuo, no qual o sujeito transita conscientemente entre polaridades, sustentando o vínculo como fundamento da existência. E é precisamente na ressignificação do temor — não como medo, mas como fidelidade ao amor que constitui o ser — que a PGU afirma seu ponto mais radical:

 

Não é o medo que organiza a vida, mas o vínculo.

 

Em síntese, a saúde mental, sob o olhar da PGU, não está na eliminação dos conflitos, mas na capacidade de habitá-los sem romper o entre. É nesse espaço — vivo, tenso e profundamente humano — que o sujeito se torna, de fato, pessoa: TORNA-SE UNO.

 


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