Há uma realidade da qual não conseguimos fugir: nascemos do outro, do encontro de outros e, só nos tornamos outro para o outro, na presença significativa do Outro. Nada somos ou seremos, se na presença do outro não o sentirmos, significarmos e o incorporarmos. O óvulo e o esperma que deram origem ao nosso organismo não eram nossos, nos foram doados pelo encontro de outros. Herdamos, filo e ontogenéticamente características de tantos outros que antes de nós existiram. Nascemos em meio a tantos outros que nos doaram e nos doam a cultura, a religião, os conhecimentos, a lei e a moral, a comunidade e o mundo. Outros que nos deram e a nós se referem pelo nome e sobrenome, substantivos próprios que nos distinguem e identificam perante toda a humanidade. Se nascemos do outro e pelo outro, tanto em nosso estado físico quanto em nossa subjetividade, em função de que necessitamos tanto buscar uma individualidade que, na maioria das vezes, nos separa desse outro? Se nos constituímos pessoas hu...